As recentes transformações na educação passam pela adoção de novas tecnologias, por estratégias pedagógicas modernas e por uma visão mais humana dos papéis de professor e aluno na relação entre si e com a sociedade.
Porém, nada disso se aplicará na prática se não houver também uma mudança de mentalidade, que deixe de lado conceitos ultrapassados e passe a enxergar o processo pedagógico com os olhos da educação 5.0.
Neste texto, abordaremos os 3 principais estigmas na educação que precisamos superar caso desejemos chegar até a educação do futuro.
O que é um estigma social?
A palavra “estigma” vem do grego “stigmata”, que significa marcas ou cicatrizes feitas no corpo.
Dentro do contexto sociológico moderno, porém, a palavra estigma deixou de ser associada a uma marca física, passando a representar uma característica ou representação simbólica que prejudica socialmente determinado grupo de pessoas.
Os estigmas sociais, portanto, estão ligados a preconceitos (no sentido literal, de “julgar sem conhecer”), visões unidimensionais e estereotipadas que podem trazer sérias consequências psicológicas para quem sofre com eles.
3 estigmas na educação que precisamos superar
Abaixo, veja os principais estigmas na educação que atingem professores e alunos, e como podemos superá-los para garantir melhores condições de trabalho e uma experiência educacional diferenciada.
O professor precisa ser herói
Muito se fala do professor como uma figura heróica por conseguir lidar, muitas vezes, com condições de trabalho nada adequadas.
Porém, o efeito que isso acaba gerando é de uma normalização do trabalho precário e perpetuação de um modelo onde o educador é mais valorizado com palavras do que com ações concretas.
É preciso entender que o professor não é um ser superpoderoso, dotado de um dom especial, mas um profissional como qualquer outro: isso quer dizer que ele precisa de um salário digno, uma carga horária razoável e condições mínimas para exercer suas funções.
Os custos de não se ter isso são diversos, mas destacamos dois:
- A diminuição de jovens buscando ingressar na carreira docente, o que ameaça o futuro da profissão. Segundo dados do Pisa (Pesquisa Internacional de Avaliação de Alunos), apenas 3,3% dos jovens brasileiros de 15 anos querem ser professores.
- O adoecimento precoce dos professores em atividade. Segundo pesquisa realizada na rede pública do Paraná, 44% dos professores alegaram sofrer de depressão e 70% de ansiedade.
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O aluno é mero receptor do conhecimento
Na introdução deste texto, citamos a educação 5.0: o modelo de educação do futuro, que consiste em utilizar os recursos tecnológicos não apenas para transmitir o conhecimento, mas para a construção de um mundo melhor através da educação.
Sendo assim, não podemos deixar de falar de um dos pilares desse movimento com potencial de transformar completamente as estratégias pedagógicas: as metodologias ativas.
Através delas, o aluno se torna o protagonista da própria jornada de aprendizado, ganhando autonomia para questionar, escolher, decidir e desenvolver um pensamento crítico em relação ao conhecimento recebido.
Muitos educadores, principalmente aqueles com mais tempo de carreira, que se acostumaram ao ensino tradicional, em que o aluno desempenhava apenas o papel de receptor, questionam esses novos métodos.
Eles temem o esvaziamento do papel do professor, mas isso não é o que acontece: nas metodologias ativas, o professor atua como um mentor, o responsável por guiar o aluno através de suas próprias escolhas.
Algumas das principais metodologias ativas que podem ser incorporadas em sala de aula são:
- Sala de aula invertida
- Aprendizagem baseada em projetos
- Aprendizagem entre times
- Gamificação
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O estigma na educação dos “alunos-problema”
Todos que trabalham com educação certamente já ouviram o termo “aluno-problema”.
No entanto, esta expressão representa um dos mais cruéis dentre os estigmas na educação, pois reduz o estudantes às suas falhas e ignora o contexto em que ele está inserido.
Esse estigma também aprisiona o aluno no erro, dificultando ainda mais que ele alcance os resultados esperados.
Geralmente, os chamados “alunos-problema” são os que apresentam uma ou mais das características abaixo:
- Rendimento escolar inferior ao esperado.
- Problemas familiares, geralmente ligados à questões socioeconômicas.
- Comportamentos inadequados, como violência e/ou indisciplina.
É preciso olhar com empatia para estes alunos e entender que eles não são o problema, mas sim, vítimas de um ambiente inadequado e que não favorece o seu desenvolvimento.
É importante que o professor questione se seus métodos estão sendo os mais eficazes e busque estratégias pedagógicas que não apenas ressaltem as falhas, mas também convidem à reflexão e estimulem mudanças de mentalidade.
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