Qual a importância de falar sobre diversidade na educação?

diversidade na educação

Sumário

A presença da diversidade na educação é uma preocupação global.

Segundo pesquisa da empresa de aprendizagem Pearson, 48% dos cidadãos do Reino Unido entre 16 e 70 anos acreditam que o tema deve ser abordado no Ensino Fundamental.

No caso do Brasil, um país com dimensões continentais e que traz a diversidade étnica e cultural em sua gênese, 76% defendem que a temática esteja presente desde a pré-escola.

Mas, por que é tão importante falar sobre diversidade na sala de aula? E ainda: qual a forma correta de fazer isso?

Antes de responder a estas questões, precisamos voltar a um estágio anterior e nos perguntar: o que, exatamente, quer dizer diversidade?

O que é diversidade?

A palavra diversidade significa “qualidade daquilo que é diverso, diferença, dessemelhança, variação, variedade”.

No campo da biologia, por exemplo, o termo biodiversidade serve para tratar da variedade de seres vivos que compõem um ecossistema.

No campo social, porém, seu uso é mais abrangente e a diversidade se refere às variedades de gêneros, etnias, raças, crenças, culturas, costumes, características físicas e orientações sexuais que compõem a sociedade.

Justamente por abarcar temas tão delicados, que vão do racismo à intolerância religiosa, da LGBTfobia ao capacitismo, algumas pessoas não sabem como abordar diversidade na escola e preferem simplesmente ignorar o assunto, mas esse não é o caminho. 

Qual a importância de se falar de diversidade na educação?

A escola não é simplesmente o espaço onde o jovem adquire conhecimentos acadêmicos e se prepara para a vida profissional, também é fundamental o preparo para o convívio em sociedade e o exercício da cidadania.

Isso passa por aprender a conviver com as diferenças, desenvolver a empatia e adquirir competências socioemocionais, qualidades que atualmente também são exigidas pelo mercado de trabalho.

Além disso, falar da diversidade na educação também traz benefícios imediatos, como maior eficácia no combate ao bullying e mais acolhimento e suporte psicológico para alunos pertencentes a minorias estigmatizadas.

O que dizem os dados?

Segundo a pesquisa “Juventudes na Escola, Sentido e Busca: Por que frequentam?”, de 2015, 20% dos estudantes de rede pública entre 15 e 29 anos não gostariam de ter um colega de classe homossexual, travesti, transexual ou transgênero.

Já os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2018, a proporção de pessoas pretas e pardas, de 25 anos ou mais, com o Ensino Médio completo era de 40,3%. Ante 55,8% da população branca.

Esses dois dados combinados nos mostram um cenário muito claro: seja por dificuldades estruturais ou pela normalização de um ambiente escolar hostil, a educação brasileira não tem sido capaz de oferecer oportunidades iguais para todas as pessoas.

E é obrigação de todos que trabalham com educação encontrar meios para tornar a escola um ambiente acessível, seguro e saudável, especialmente para grupos historicamente privados deste ambiente.

O que dizem as Diretrizes Curriculares?

Essa obrigação em levar a diversidade para a sala de aula está especificada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que diz:

“Exercitar a empatia, a cooperação, a resolução de conflitos e o diálogo, fazendo-se respeitar e promovendo o direito ao outro e aos direitos humanos, com valorização e acolhimento da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, suas potencialidades, culturas, identidades e saberes, sem preconceitos de qualquer natureza”.

Por este trecho, podemos entender que não basta que o professor apenas intervenha quando presenciar alguma situação de discriminação ou bullying.

É preciso partir da escola uma comunicação ativa, espontânea e constante no sentido de valorizar a diversidade, acolher os alunos e combater o preconceito.

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Algumas dicas para trabalhar diversidade em sala de aula

Falar sobre diversidade na educação pode trazer diversas dúvidas, desde quais são os termos corretos para se referir a alguém até qual a forma mais assertiva de tocar em temas delicados.

É importante ter em mente que não existe receita mágica e que não é vergonha admitir que estamos todos em constante processo de aprendizado.

Veja abaixo algumas dicas para abordar a diversidade na escola. 

Tenha a empatia e o acolhimento como palavras chave da sua Instituição

A definição da palavra empatia é “capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, compreender emocionalmente”. Essa definição é a chave para conviver e trabalhar com a diversidade.

Escute as vivências dos alunos, pense no que aquilo representa para eles, em como eles gostariam de ser tratados e mostre que a escola está ali para acolhê-los e oferecer um ambiente seguro.

Da mesma forma, busque ajudar os demais colegas e professores para que todos estejam alinhados e prontos para colocar a empatia em prática no dia a dia.

Crie espaços de discussão

Promova rodas de conversa sobre o tema, onde os alunos se sintam livres para trocar ideias e sejam estimulados a pensar.

Esse é o momento em que a interdisciplinaridade pode ajudar. Por exemplo, em uma aula de história do Brasil, pode-se abrir espaço para discutir a importância da tolerância religiosa e da valorização da cultura africana.

A tecnologia pode ser trazida para a sala de aula para ajudar em debates sobre acessibilidade e a importância de novas ferramentas para pessoas com deficiência.

Dessa forma, esses temas serão cada vez mais naturalizados para os alunos e eles ainda serão estimulados a pensarem em soluções para o futuro. 

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Utilize a literatura e outras formas de entretenimento

A discussão ainda pode ser turbinada com o auxílio de peças de entretenimento que falem sobre a diversidade e ajudem a conscientizar os alunos.

Livros, filmes, séries e jogos trazem o elemento da ludicidade e são altamente capazes de gerar identificação, logo, ajudam os alunos tanto a entender melhor a importância de determinados temas quanto a exercitar a empatia. 

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Trabalhe conceitos de Direitos Humanos e traga a legislação para a sala de aula

Levando em conta que é papel da escola participar da formação cidadã dos alunos, nada mais justo do que abordar a diversidade sob o ponto de vista das leis.

Dê aulas e promova debates, tanto sobre as leis novas que visam promover a diversidade, quanto sobre os direitos e deveres de cada cidadão presentes na Constituição Federal de 1988.

Fale sobre a importância dos Direitos Humanos, trazendo fatos históricos que exemplificam essa importância.

Desta forma, os alunos entenderão que falar sobre diversidade não é apenas uma moda passageira ou uma “agenda do momento”, mas uma condição fundamental para que possamos exercer a democracia.

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A preocupação com a diversidade na educação é apenas parte do que compõe a educação do futuro: ela passa também pelas novas tecnologias, novas metodologias de ensino entre outras tendências das quais você precisa se atualizar.

No nosso blog, você encontra centenas de textos, guias, e-books, infográficos, entre outros materiais que abordam a educação em todos os seus aspectos.

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